14 novembro, 2019

Mães...

Aqui há muitos anos, numa colónia de gatos que se formou no meu jardim, apareceram duas gatinhas que baptizei de Doce e Morgana.
A Morgana era gata aventureira e rebelde, nada dada às alegrias e desvelos da maternidade, como tal não tinha qualquer pudor em deixar as crias que paria aos cuidados da irmã, essa sim mãe extremosa, que não fazia qualquer distinção entre os seus filhos e os sobrinhos. Assim foi durante alguns anos, a Doce sempre a cuidar da prole, dela e da irmã, até ao dia em que, por um infortúnio culinário, esta mamã adorável morreu envenenada com especiarias indianas, ao roubar comida de um prato esquecido em cima da mesa... Nas semanas seguintes a Morgana bem chamou pela irmã, a barriguinha a crescer, o parto a chegar... Foi numa noite gélida de Janeiro que ela pariu à minha porta, no meu tapete, onde ela sabia que alguém lhe havia de valer, onde sabia que lhe cuidariam dos filhos... Não os largou no meio do mato, em nenhum buraco escondido, em nenhuma lixeira... Uma simples gatinha soube procurar onde havia ajuda!
Um desses bebés é o meu BudaPeste, criado por mim desde o primeiro dia, a biberão e mil cuidados. Quanto à mãe, a independente Morgana, depois desta última aventura, acalmou, começou a cuidar dos seus bebés, a dar-se mais a carinhos humanos e por aqui ficou até ao seu último dia.
Uma história verdadeira que me dá resposta a algumas questões humanas...

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