18 outubro, 2015

Um adeus...

Há pessoas que apesar de uma breve passagem pela nossa vida nos marcam para todo o sempre e nos deixam sempre uma doce memória... E foi este o caso do meu querido Guilherme Duarte, que me acompanhou nos 3 anos em que trabalhei na EDP na Amadora, já lá vão uns 22 anos, justamente pela sua simpatia, carinho, bondade, sentido de justiça, capacidade de liderança e alegria de viver!
Reencontrei-o há relativamente pouco tempo através dos meandros do Facebook e, apesar de não o ter voltado a ver fisicamente, de vez em quando íamos matando as saudades em pequenas conversas e pelo que íamos vendo um do outro nos respectivos murais...
Hoje despeço-me com muita tristeza e aqui partilho alguns poemas de sua autoria "roubados" pela net.
Adeus meu querido Sr. Duarte, obrigado por tudo o que me ensinou, pela força e carinho que me deu!

QUE DEMOCRACIA É ESTA?



Sempre trabalhei na vida
E todo o pão que comi
Foi ganho honestamente
Com o suor do meu rosto.
Não gastei mais do que tinha.
Nunca fui um aldrabão.
Não sou nenhum vigarista,
Nem sequer oportunista
E também não sou ladrão.
Sou um português cumpridor
Dos deveres de um cidadão
Honesto e trabalhador
Que está a ser espoliado
Do fruto do seu trabalho
Por gente sem coração,
Por políticos de má raça
Profissionais da trapaça
E de promessas mentirosas.
Como eu, todo um povo
A quem está a ser negado
O direito que tem ao trabalho,
A um tecto, ao agasalho,
À saúde e educação
E que está a ficar revoltado,
Quando vê que até o pão
Lhe está já a ser negado.

Há razão para perguntar,
Que democracia é esta
Que acolhe no seu regaço
Gente reles, que não presta
Que faz da política uma festa
Em que canta, ri e dança
Enche a carteira e a pança
Enquanto o povo faz de palhaço
E ainda tem que pagar?

Guilherme Duarte


PALAVRAS APENAS


Enquanto no mundo houver,
Uma criança que seja
Que não tenha que comer,
Deve ser nossa missão
Lutar e tudo fazer
Para evitar bocas sem pão.

Não podemos tolerar
Que haja ainda crianças
Sem um tecto que as abrigue,
Sem uma cama onde dormir,
Sem roupa para se cobrir
E sem direito a brincar.

Será que quem nos governa
Consegue mesmo dormir
Sabendo que entre o povo
Que prometeram servir
Há gente que passa fome,
Gente pobre, sem trabalho,
E sem dinheiro para se tratar?

Garante a Constituição,
A todos, direito ao pão,
À saúde, ao agasalho,
À justiça e educação
Ao respeito e ao trabalho.

São lindas estas palavras
Que todos gostamos de ouvir,
Mas são palavras apenas
Que políticos mentirosos
Não fazem tenção de cumprir.


Guilherme Duarte



Estas folhas espalhadas
Pelo chão do meu jardim
São os meus sonhos falhados,
As perspectivas goradas,
As metas nunca alcançadas
E todos aqueles sonhos
Que em tempos acalentei
Mas nunca realizei,
E que terminaram assim.


Daquela árvore frondosa
Que deu sombra à minha esperança,
As folhas foram caindo
Uma a uma sem parar.
E em cada folha que cai
Há um sonho que se vai,
E uma paixão que se extingue.
Em cada folha que amarelece
Há uma vida que enfraquece
E uma força que se esvai.
E quando essa folha cai
É uma página que se rasga
Do livro da minha história,
E no fim fica a memória,
E tem um nome: saudade.


Aquela árvore frondosa
Que já foi verde e viçosa,
Hoje de folhas despida,
Já não dá sombra a ninguém.
Está agora feia e nua
E está caduca, também,
A árvore da minha vida.



Guilherme Duarte



NATAL


Na árvore há brilho, há luz e magia,
No presépio há uma mensagem de amor,
Nos corações há ternura e calor,
À mesa, a tristeza de uma cadeira vazia.


Tenho saudade dos Natais de outrora
Quando o Rei do Natal era o Menino Jesus,
O Menino que nasceu numa gruta fria e sem luz
E descansa sereno nos braços de Nossa Senhora.


Em que é o homem transformou o Natal?
Substituiu o Menino por um velho irreal,
E virou as costas à gruta em Belém


Ignorou o presépio e a Família Sagrada
A alma invadida por um monte de nada
E o Menino ficou só, nos braços da Mãe.



Guilherme Duarte


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